Epistemologia e Política
Epistemologia e Política
eliane colchete
Ao longo dos anos noventa, muito foi controvertida, sobre a “arqueologia do saber”, a questão de ser ou não a metodologia foucaultiana uma epistemologia, e os defensores de Foucault mais politizados pretendiam que era, sim, uma crítica à epistemologia, em todo caso, algo irredutível a ela. Como se pode notar pela leitura de autores marxistas como Hindess e Hirst, a palavra “epistemologia”, por seu status filosófico, era tão indesejável no marxismo quanto em geral “ciências humanas”, a exemplo da rejeição à sociologia, para garantir a unidade do social em torno do "modo de produção".
É interessante notar a contradição do campo, já que os partidários de Foucault não eram necessariamente marxistas, e o que hoje se designa pós-estruturalismo como a linha que o enfeixa era rejeitada pela esquerda comunista. A complexidade da situação já se observa pelo rótulo "pós" relativo ao estruturalismo, desde que este também se mantinha atuante.
A teoria marxista já estava porém muito matizada. Podemos observar três tendências, entre a ortodoxia sovieticista remanescente na esquerda independente das revelações sobre as atrocidades do stalinismo, Soljenitsin, etc.; a ala humanista de Lukács e Gramsci entre vários outros até as tentativas de unir marxismo e fenomenologia como a de Enzo Paci; e o estruturalismo entre Lacan e Althusser. Nossa observação cobre mais que apenas um panorama de época, na verdade a história do marxismo, com a ortodoxia de origem positivista oitoscentista, o humanismo da metade inicial do século XX e o estruturalismo da segunda metade. Mas como vemos, as tendências se sobrepuseram no tempo, não se anulando completamente umas às outras. A peculiaridade desde a transição dos anos oitenta aos noventa está justamente em que as conjecturas a propósito de qual das tendências sobrepujaria as outras já se consideravam superadas. Assim independente do que pudesse crer cada uma delas, o marxismo restara uma incógnita.
E independente das linhas especificáveis, um conjunto de questões se tornara polêmico. Havia a questão do freudo-marxismo, destes citados estruturalistas ou o de Reich, entre exemplos reportáveis, que estava se tornando muito influente na vizinhança dos movimentos de contestação generalizados das décadas anteriores, como nos USA e na França, porém igualmente rejeitado pela ortodoxia.
Também crescia, inversamente ao prognóstico de Jameson, a questão em torno das relações entre marxismo e terceiro mundo, uma vez que o pós-modernismo e os recentes confrontos de regimes nacionais com o imperialismo, na subsequência das guerras de libertação nacional afro-asiáticas e mesmo na iminência da dessovietização, a haviam tornado uma realidade na prática. Mas já o exemplo jamesoniano mostra como a ortodoxia estava ela mesma se relativizando.
Por um lado, bem conforme a ela, Jameson rejeita a questão do terceiro mundo como mero nacionalismo, e o faz visando um recentramento teórico que recuaria até mesmo da posição estrutural dos modos de produção como combinatórias irredutíveis, para recolocar a progressão evolutiva entre eles. Porém propõe a atualidade do que Adorno e Horkheimer designavam "pseudomercado", e Baudrillard, "o sistema secundário dos objetos", a midiatização da mercadoria, como "lógica cultural do capitalismo tardio," assim uma superestrutura esquizofrênica que teria abolido a ideologia, algo inantecipável por qualquer proposta conhecida até aí.
Já o pós-estruturalismo nos anos noventa influenciava esse ramo polêmico ligado ao terceiro mundo, uma vez que teorias como a de Deleuze e Guattari pareceram na época utilizáveis, assim um dos motivos da crítica de Jameson a eles. No Brasil perdura essa linha até a atualidade. Mas estava sendo impulsionado o referencial do "pós-modernismo", que visa o ex-centramento cultural de um modo mais ousado porque já equaciona resultados de pesquisa em ciências humanas, forçando mudanças relacionadas ao campo mesmo das humanities para criar horizontes novos como os "estudos culturais", os "estudos" setorizados como de gênero sexual e étnicos, a "teoria social", e sobretudo produções de teóricos originários do próprio terceiro mundo, tudo isso que destoa das sistematizações classificatórias utilizadas até pelo pós-estruturalismo.
Enquanto ao longo dos anos noventa o pós-modernismo se afirmava como ex-centramento da proveniência da produção teórica e estética - contra o que havia sido inicialmente uma polêmica confusa de defensores e detratores que porém nem falavam do mesmo referencial - assim como por uma relação mais estreita com a história desde que considerando superadas as grandes narrativas do progresso dos modos de produção que privilegiavam o "ocidente" como objetivo racional da humanidade - assim como vemos, bem inversamente a Jameson - suas relações com o marxismo pareceram ambíguas. Alguns consideravam Ernesto Laclau, por exemplo, neomarxista, enquanto para outros era algo irredutível, porém a meu ver nem mesmo sendo de fato um pós-modernista, mais como um pós-estruturalista.
Como podemos ter já notado, se o marxismo pudesse se adaptar ao excentramento irreversível, então seria convergente com o pós-modernismo naquelas linhas que o fizessem, porém se considerasse o sócio-progressismo da dicotomia primitivo e moderno-ocidental o cerne da teoria, não seria. Porém teria também que revisar conceitos como o de proletariado, que se mostra defasado devido ao contraste do status entre o centro desenvolvido e a margem ou terceiro mundo, do capitalismo, sendo a "cidadania" o referencial dos direitos civis que pretendemos objetivo da constituição. Teria também que compreender a nacionalidade como entorno cultural que dota de sentido a constituição. A liberdade de costumes, expressão e consciência, assim como a livre empresa que é o contrário do capitalismo imperialista monopolista, seriam também objetivos coerentes aos direitos humanos, com o Estado protegendo os cidadãos de tudo o que for considerado abuso na letra da lei. O desenvolvimento como qualidade de vida, conforme os parâmetros de saúde, longevidade, moradia, letramento, liberdades políticas, acesso aos bens culturais, etc., relativos aos cidadãos pessoalmente, ao invés de índices representados por minorias privilegiadas, sendo o referencial da função do Estado. A democracia sendo pois o objetivo mesmo, inversamente a qualquer ditadura.
Tentativas de utilizar a dicotomia primitivo-moderno porém invertendo o conceito de progresso como a de Deleuze e Guattari não são de fato convergentes, preservando-se na linha pós-estruturalista, e mesmo se pode observar que a inversão é apenas aparente, pois de fato consideram estes autores o capitalismo como o único "socius" coerente com a natureza "esquizofrênica" do inconsciente enquanto, segundo eles, potencialidade ilimitada de criar regimes de signos, sendo "socius" conceito que amalgama na "produção" como "economia", as práticas supostas codificadas da sociedade e do desejo subjetivo a ela adequado pela educação. Assim é coerente que eles tenham se considerado marxistas.
Sem dúvida, o pós-estruturalismo, entre Deleuze-Guattari e Derrida, introduziu questões importantes da pós-modernidade, porém como vemos, persistiu num contexto dicotômico modernista, se bem que quanto a Derrida tenha focado sua crítica às oposições desse tipo. Não obstante, conceitua o "Ocidente" de um modo unívoco, platônico.
A deriva de Deleuze-Guattari porém foi porém, inversamente a Derrida, de recuo ostensivo quanto ao terceiro mundo, que haviam de um modo ou de outro valorizado até aí. O cinema 2 já repete a segregação de Jameson sobre o terceiro mundo como incapaz de split público-privado, mas "O que é a filosofia?" contradiz frontalmente a homologia do zen e estoicismo praticada na "lógica do sentido", pois relega o "oriente" à "transcendência" como incapacidade de pensar, sem suspeitar do ridículo da dicotomia "oriental" como Eduardo Said já havia demonstrado. Além disso, reduzem absurdamente o pensamento a três nacionalidades europeias, inglesa, francesa ou alemã.
Mas se em todo caso, mesmo na multiplicação de linhas e questões sendo crescente quanto ao marxismo, se conservou a constante de rejeição das "ciências humanas" e "teoria da ciência", o que se entendia então por esta, a "epistemologia"? Eu creio que não há outro campo em que se possa aproveitar a contribuição de Foucault, quando, hoje, já não podemos aceitar os seus resultados generalizantes e redutores tal como o conceito de Representação (postulado antropológico) de “As palavras e as coisas”, como critério capaz ao mesmo tempo de definir todas as ciências humanas e invalidá-las como ciências, ou a homogeneização platônico-aristotélica dos gregos em “O uso dos prazeres”. Não sendo o caso do conteúdo, é a proposta metodológica que estamos tematizando aqui.
Com efeito, naqueles focos em que se pode considerar a pós-modernidade teórica em trânsito, como no texto de Jane Flax intitulado "pós-modernismo e relações de gênero na teoria feminista", sendo porém relacionado aos anos noventa, vemos uma sobreposição curiosa.
Por um lado, valorização da epistemologia, o que é bem pós-moderno, como crítica das posições de ativismo ingênuo características das décadas anteriores tão focadas, conscientemente ou não, na centralidade do marxismo, posições ao modo da "new left" de Habermas ao feminismo da universidade de Cornell, que agora Flax mostra estar se considerando confundir na verdade instâncias irredutíveis como a prática e a teoria. Mas também referência de autores pós-estruturalistas, especialmente Foucault e Derrida, como pós-modernos, e uma estimativa, quanto ao pós-modernismo, ainda indefinida, sem notar o excentramento irreversível como ultrapassagem crucial da "modernidade" definível como concepção do progresso ocidental, assim ainda supondo-se o pós-moderno uma "fase de transição" a algo por vir.
Creio que seria subestimar a força histórica do marxismo, ignorar que muito da preservação dessa paradoxal rotulação do indefinido se deve a ele. Visto que até hoje, como tem se mantido revitalizado na imanência política do terceiro mundo, instalado em regimes de Estado como se preserva na Coreia, China e Venezuela, ou liderando a oposição como no petismo brasileiro, mostra-se um referencial de rejeição radical ao pós-modernismo atribuindo a ele ao mesmo tempo que a anulação do sócio-progressismo ocidentalista eurocêntrico como filosofia da "modernidade" histórica, nenhum corolário da transformação do conceito de capitalismo como imperialismo - não apenas "fase", mas modo operatório da Revolução Industrial. Assim tampouco da crítica do discurso ideológico, como dominação cultural, implícito nessa filosofia da "modernidade".
Inversamente, ao compreender estes dois motivos como conceituando o pós-moderno, a redefinição do capitalismo, logo, da modernidade mesma, como imperialismo monopolista, e o consequente excentramento cultural, vemos que a epistemologia como meta-crítica de um discurso da ciência do desenvolvimento dicotômico do primitivo ao moderno-ocidental, se torna realmente um locus reportável das questões pós-modernas.
O imperialismo monopolista não significa algo novo na história, posto que reativa por novos meios o antigo império helenista, onde já existia a consciência do proletariado, o trabalho assalariado, junto ao escravismo, e esses meios novos são emergentes desde há quinhentos anos, pela dominação escravista dessa margem antes desconhecida, as Américas. O empirismo da descoberta caucionou a evolução na ciência experimental que se desdobrou numa história do maquinário utilizável na indústria, numa escala imprevista na Antiguidade, e depois, facultando os novos meios a Revolução Industrial, dominação sobre África e Ásia, etc. Na atual globalização, o capitalismo perpetua sua missão histórica imperialista, de obstaculizar a organização social democrática e constitucional que vinha como processo libertário correlato à expansão das ciências, traduzindo-se no estado de coisas pós-colonial. Podemos considerar para muitos propósitos a globalização como recolonização. Paralelamente, com o excentramento teórico pós-moderno, já não conta o capitalismo com o "discurso" da ciência - "neurose" inconsciente a coté de suas realizações - para objetivos de dominação cultural, servidos hoje como são pela estrutura info-midiática do mercado. Luis Carlos de Morais Junior, em seu "A auto-educação no século XXI" conceituou muito bem a realidade pós-moderna da dominação cultural.
Ao menos quanto a Foucault, podemos notar a contradição de negar tratar-se de epistemologia. Quando "As Palavras e as Coisas" definem o que é ciência na modernidade, biologia, linguística e economia política, enquanto auto-conscientes de serem sistemáticas estruturais, por exclusão do que não é, as ciências humanas supostas relacionarem-se a uma projetada realidade por si, o "Homem". Essa "representação" da realidade sendo porém o mesmo que as consideradas como tais ciências pré-modernas, e eis porque podemos notar que elas eram defasadas por relação à evolução, ao signo, etc. E
a Arquelogia do Saber traça uma classificação dos estágios no rumo da cientificização de qualquer especialidade.
Não situa ainda assim Foucault qualquer definição do significado da ciência, uma vez que ela não mantem qualquer identidade de si através de estruturas irredutíveis de épocas que se sucedem naquilo que se designa, assim talvez algo impropriamente, "história". Porém o "saber" como a organização específica que define uma estrutura é assim conceituado, como a constante estrutural a-histórica. E independente dessa reserva de método, como vimos há sim uma auto-consciência da própria estrutura que permite identificar o caráter científico, ou "modernidade".
A temática foucaultiana da representação na verdade se pode considerar falaciosa quanto às ciências humanas, posto que, de modo perfeitamente inverso ao proposto, são as ciências naturais as relacionadas pelo neopositivismo como objetivas tout court nesse sentido do pressuposto de universalidade, enquanto nas ciências humanas é que o objeto é especificamente - de modo auto-consciente teórico. A "economia política" é tão ciências humanas como a linguística, sendo algo bastante idiossincrático atribuí-las ciências naturais.
O próprio marxismo é nesse sentido uma ciência humana, pois o conflito de classes é um postulado teórico, assim como a racionalidade da empresa na sociologia de Weber. Eles são realidade nesse sentido de objetos de observação científica, porém de um modo irredutível ao dar-se prévio das pedras ou montanhas que estuda a ciência natural. Assim vemos que Foucault ignora o objeto das ciências humanas, supondo que só as ciências naturais o tem como "quase-transcendentais" à pesquisa, um estatuto que como vemos, é muito mais adequado às ciências humanas.
Foucault considera por exemplo, que a antropologia social não tem nas sociedades não-moderno-ocidentais o seu objeto de pesquisa, mas sim que elas derivam da prática de interpretação de textos, o que é algo bem inverossímil, nada condizente com os fatos. Foucault não fez uma história das pesquisas e das rupturas intra-teóricas inerentes a cada uma das ciências humanas na sua trajetória. Apresentou uma fábula da "representação" como denominador comum de tudo, que nem mesmo tem muita pertinência quando se trata da "época clássica" anterior à modernidade, quanto à assim designada "análise das riquezas" como antecessora da "economia política", pois vemos com Dobb por exemplo, em "A Evolução do Capitalismo", que as práticas capitalistas não são descontínuas relativamente ao que já vinha sendo a apropriação dolosa desde o Renascimento. E enquanto Foucault declarava nas suas entrevistas que o imperador do antigo regime era muito tolerante com os pobres e vagantes, Dobb mostra como as leis instituídas pela dominação capitalista nas câmeras os agrilhoava, por um lado tornando qualquer vagante um escravo do delator, após sofrer sevícias da penalidade judicial, por outro lado proibia com a lei dos residentes a opção das habitações coletivas no campo, na ocasião da substituição da agricultura pela ovinocultura, porque a lei impedia que as casas fossem ocupadas por um acréscimo no número de pessoas.
Foucault não trata do que é decisivo nessa época clássica, a "teoria política" que antecede as ciências humanas, estas que nascem quando a decalagem teórico-política de estados de natureza e sociedade já não basta para apreender o espanto do primitivo americano na sua oposição total ao conhecido da tradição, visto que com a independência, o homo americano se fez também homo storia. E se há uma representação inconsciente nas ciências humanas, é esse discurso do primitivo na sua cisão fundamental da modernidade. A projeção de um objeto prévio dado como representação do humano é bem mais coerente atribuir à biologia.
Quanto às produções de Foucault em âmbitos ulteriores ao projeto arqueológico do saber, hoje já podemos considerar mais claramente a sua relação com este. À alternativa entre ruptura ou continuidade, hoje já compreendemos serem contínuos à intenção arqueológica, ainda que se fizessem como "genealogia" do poder e "história" da sexualidade. Todos os três ramos visam o fato estrutural da "modernidade". Vejamos como, especialmente quanto ao sexo, a história se faz estrutura, mas desse fato que cinde a multiplicidade das estruturas num binômio do pretérito à presentness, como se poderia denotar.
Sexualidade e poder
O início do volume da História da Sexualidade é consagrado à contemporaneidade ocidental , mas o que vemos ao longo do livro poderia ser reconstituído em função do curso sobre governamentalidade. Especifica este, algo mais do que a enunciada "modernidade" quanto ao governo, trajetória do liberalismo ao neoliberalismo como de uma ideia da autonomia do mercado que apenas completa a retirada do governo da esfera decisória crucial que se torna atribuída à ciência da Economia que o governo emprega. Especifica também os eixos das demais ciências sobre os quais o governamento de gestão se implementou atravessando a oposição jurídica do público e do privado, suposta por Foucault pré contemporânea.
É explicitamente “negócio de Estado”, e mesmo “ainda melhor, uma questão em que todo o corpo social e quase cada um de seus indivíduos eram convocados a porem-se em vigilância”(p. 110), aquilo de que se deve falar com propriedade para referenciar a nova “tecnologia do sexo” vigente a partir do final do século XVIII, e que “se desenvolve ao longo de três eixos...”: o da pedagogia, “tendo como objetivo a sexualidade específica da criança”; o da medicina, objetivando a “fisiologia sexual própria das mulheres”; e o da demografia, cujo objetivo é a “regulação espontânea ou planejada dos nascimentos” . Além disso, os efeitos desse biopoder que resulta como governamento de gestão do que é definido gerível como áreas de aplicação do Saber, são agora redutíveis efetivamente a um a priori de todos os efeitos hierarquizantes como de Poder.
denúncia contra operação de personal computer em Brasil
Comunico mais um roubo de pasta de documentos, 09/05/2019, com textos meus inéditos, como venho denunciando várias operações de abuso ilegal por parte de intrusos no computador. O computador apresentava também imagens pornográficas nas páginas da internet.
"Personal computer" são operações da bandidagem internacional imperialista impingindo mercadoria sem garantias dos direitos privados, a invasão monopolista do mercado estando articulada a operações de business de mídias contra pessoas particulares, também de lobbings incentivando gangs de minorias para atuar apartheid social. A única vantagem do "personal computer" intrusado, com programas imperialistas dirigidos contra a capacidade pensante da população do terceiro mundo se resume no montante de dinheiro que as firmas operadoras da bandidagem multinacional açambarcam contra a consciência das pessoas. Até aqui faziam o mesmo por meio de porrada ou eliminação física, agora utilizam os meios de coação digital, porém só até serem expulsos por ação consciente daqueles que prezam sua humanidade
Agentes terroristas atuam nos nossos computadores, parasitas porcos que destroem textos, falsificam documentos, fazendo dominação sobre linha telefônica, espionagem, assédio, etc.
A propaganda mentirosa na internet apregoa que cyberdelegacia atende contra intrusão computacional de modo a identificar os bandidos, porém não sendo verdade, porque fiz queixa pessoalmente no local mas responderam que não tem responsabilidade sobre isso.Nunca nos foi pedida ou por meu marido e eu concedida autorização a qualquer outra pessoa para administrar conta ou participar de qualquer forma dos comandos do computador pessoal. Não sabemos quem são os bandidos intrusos nojentos que espionem e/ou alteram contra nossos interesses os dados do computador comprado com nosso dinheiro, de nossa propriedade particular. Não foi autorizada participação coletiva, o computador é particular. O governo é cúmplice dos bandidos, se não oferece garantias contra tais ações.
Achei muito bobinho o weekleaks insinuando a suspeita de algum programa mirabolante da Cia para intrusão de computadores pessoais, quando desde há muito se sabe que linhas telefônicas são franqueadas a ação da Cia ou de qualquer instância, formal ou não, desde o governo até sindicatos ou pessoas privadas corruptoras, que tenha acesso às companhias operadoras.
A prisão do dono da inócua weekleaks apenas comprova a incúria das agências atuais. Claude Julien, David Halberstam, fizeram denúncias muito mais escandalosas, como a orquestração do golpe de Estado por parte da Cia no Irã, impondo o nazista hitlerista Zaedi no governo ao derrubar pela fraude o governo eleito por voto representativo racional, porque este havia nacionalizado o petróleo iraniano, que era até aí explorado por uma companhia inglesa que ficava com setenta por cento dos proventos. A revolução dos aiatolás expulsou o lobbing de pretoleiras norte-americanas aramco que havia financiado o golpe. Muito mais denúncias são feitas pelos autores citados, notadamente o controle por parte de business de mídia do financiamento de candidatos a eleições nos USA, chantagem direta de donos de mídias ao Executivo para manobrar guerras ou outras fontes de "notícias", exploração dos efeitos de câmara para direcionar votos, etc. Nada sequer parecido, ou com similar peso histórico da informação foi veiculado pela weekleaks.
Na atualidade a inaceitável ilegal venda de exploração de serviços básicos ou de fontes de energia a multinacionais repete a extorsão nojenta dos imperialismos, mancomunados com corruptos de esquerdas ou de direitas, aloprados cujo intento único se resume a dominar a vida alheia.
A globalização é recolonização no Brasil. Todo tipo de abuso nojento feito por operadoras de telefonia, provedoras de internet, assim como por ditaduras de subalternos no comércio e serviços. Até mesmo contrato do vlt (Rio de Janeiro) extorque os nossos impostos exigindo que o Estado pague a conta dos lucros dos empresários caso o serviço não seja satisfatório e as pessoas não prefiram o veículo, porém se o público pagante fosse suficiente os ditos empresários apenas embolsariam o montante, sem qualquer proveito público.
As casas das pessoas estão espionadas para objetivos do business de mídia copiar gestos, atos, situações, no nojento cinema comercial e mercados editoriais, assim como para simular julgamentos de valor nas propagandas, novelas, etc., manipulando imagens particulares. Ou financiando pseudo-artistas ou até ridículos consumistas de bairros que apenas repetem o que nós criamos com esforço de pesquisa e inventiva própria, porém descontextualizado de modo a não ser recuperável o sentido do que é feito, sabotando assim o nosso direito à circulação da nossa produção. Jornalismo e radialismo podre fazendo intrigas com a vida particular, tentando botar prostitutas nas casas, etc. O descrédito das produções de mercado editorial assim como do que se produz como business de mídia se torna compreensível pelo que podemos testemunhar.
Plágio do que escrevemos no personal computer é feito por espiões nas máquinas intrusadas, tanto por business de mídia mancomunado com corruptos imperialistas como por patifes quaisquer, sem que se tenha proteção contra a bandidagem.
Serviços públicos e comércio estão articulados a gangs de parasitas que fazem panopticum na vida pessoal, supondo empregados com direitos de julgamentos ou preferências idiotas para atender ou não as pessoas, o que configura mentalidade de parasitas ilegais, atuando contra as leis constitucionais. Partido Fascista de bairros como Ilha do Governador está organizado no Rio de Janeiro, mesmo sendo contra da lei.
fora bandidagem capitalista, fora parasita corrupto de sindicato pelego podre, fora prostituta, fora ladrão, fora abusados, fora samarco, destruidores de cidades brasileiras, fora imperialista podre, fora defraudadores da democracia, fora gangs de otários que tentam coibir nossa liberdade. FORA BANDIDOS . Somos brasileiros, temos constituição e nacionalidade, vamos expulsar todos os bandidos da sociedade defraudadores da nossa liberdade, REVOLUÇÃO CONSTITUICIONAL, POR UMA POLÍCIA NÃO CORRUPTA, POR UM ESTADO A SE CONSTRUIR, QUE BOTE NA CADEIA TODOS OS BANDIDOS DO COMPUTADOR, DE MÍDIAS, DE GANGS, OU IMPERIALISTAS.
=================
Meu novo livro "Riqueza e Poder, a Geoegologia", está lançado mas a editora quártica não colocou na internet.
================
É interessante notar a contradição do campo, já que os partidários de Foucault não eram necessariamente marxistas, e o que hoje se designa pós-estruturalismo como a linha que o enfeixa era rejeitada pela esquerda comunista. A complexidade da situação já se observa pelo rótulo "pós" relativo ao estruturalismo, desde que este também se mantinha atuante.
A teoria marxista já estava porém muito matizada. Podemos observar três tendências, entre a ortodoxia sovieticista remanescente na esquerda independente das revelações sobre as atrocidades do stalinismo, Soljenitsin, etc.; a ala humanista de Lukács e Gramsci entre vários outros até as tentativas de unir marxismo e fenomenologia como a de Enzo Paci; e o estruturalismo entre Lacan e Althusser. Nossa observação cobre mais que apenas um panorama de época, na verdade a história do marxismo, com a ortodoxia de origem positivista oitoscentista, o humanismo da metade inicial do século XX e o estruturalismo da segunda metade. Mas como vemos, as tendências se sobrepuseram no tempo, não se anulando completamente umas às outras. A peculiaridade desde a transição dos anos oitenta aos noventa está justamente em que as conjecturas a propósito de qual das tendências sobrepujaria as outras já se consideravam superadas. Assim independente do que pudesse crer cada uma delas, o marxismo restara uma incógnita.
E independente das linhas especificáveis, um conjunto de questões se tornara polêmico. Havia a questão do freudo-marxismo, destes citados estruturalistas ou o de Reich, entre exemplos reportáveis, que estava se tornando muito influente na vizinhança dos movimentos de contestação generalizados das décadas anteriores, como nos USA e na França, porém igualmente rejeitado pela ortodoxia.
Também crescia, inversamente ao prognóstico de Jameson, a questão em torno das relações entre marxismo e terceiro mundo, uma vez que o pós-modernismo e os recentes confrontos de regimes nacionais com o imperialismo, na subsequência das guerras de libertação nacional afro-asiáticas e mesmo na iminência da dessovietização, a haviam tornado uma realidade na prática. Mas já o exemplo jamesoniano mostra como a ortodoxia estava ela mesma se relativizando.
Por um lado, bem conforme a ela, Jameson rejeita a questão do terceiro mundo como mero nacionalismo, e o faz visando um recentramento teórico que recuaria até mesmo da posição estrutural dos modos de produção como combinatórias irredutíveis, para recolocar a progressão evolutiva entre eles. Porém propõe a atualidade do que Adorno e Horkheimer designavam "pseudomercado", e Baudrillard, "o sistema secundário dos objetos", a midiatização da mercadoria, como "lógica cultural do capitalismo tardio," assim uma superestrutura esquizofrênica que teria abolido a ideologia, algo inantecipável por qualquer proposta conhecida até aí.
Já o pós-estruturalismo nos anos noventa influenciava esse ramo polêmico ligado ao terceiro mundo, uma vez que teorias como a de Deleuze e Guattari pareceram na época utilizáveis, assim um dos motivos da crítica de Jameson a eles. No Brasil perdura essa linha até a atualidade. Mas estava sendo impulsionado o referencial do "pós-modernismo", que visa o ex-centramento cultural de um modo mais ousado porque já equaciona resultados de pesquisa em ciências humanas, forçando mudanças relacionadas ao campo mesmo das humanities para criar horizontes novos como os "estudos culturais", os "estudos" setorizados como de gênero sexual e étnicos, a "teoria social", e sobretudo produções de teóricos originários do próprio terceiro mundo, tudo isso que destoa das sistematizações classificatórias utilizadas até pelo pós-estruturalismo.
Enquanto ao longo dos anos noventa o pós-modernismo se afirmava como ex-centramento da proveniência da produção teórica e estética - contra o que havia sido inicialmente uma polêmica confusa de defensores e detratores que porém nem falavam do mesmo referencial - assim como por uma relação mais estreita com a história desde que considerando superadas as grandes narrativas do progresso dos modos de produção que privilegiavam o "ocidente" como objetivo racional da humanidade - assim como vemos, bem inversamente a Jameson - suas relações com o marxismo pareceram ambíguas. Alguns consideravam Ernesto Laclau, por exemplo, neomarxista, enquanto para outros era algo irredutível, porém a meu ver nem mesmo sendo de fato um pós-modernista, mais como um pós-estruturalista.
Como podemos ter já notado, se o marxismo pudesse se adaptar ao excentramento irreversível, então seria convergente com o pós-modernismo naquelas linhas que o fizessem, porém se considerasse o sócio-progressismo da dicotomia primitivo e moderno-ocidental o cerne da teoria, não seria. Porém teria também que revisar conceitos como o de proletariado, que se mostra defasado devido ao contraste do status entre o centro desenvolvido e a margem ou terceiro mundo, do capitalismo, sendo a "cidadania" o referencial dos direitos civis que pretendemos objetivo da constituição. Teria também que compreender a nacionalidade como entorno cultural que dota de sentido a constituição. A liberdade de costumes, expressão e consciência, assim como a livre empresa que é o contrário do capitalismo imperialista monopolista, seriam também objetivos coerentes aos direitos humanos, com o Estado protegendo os cidadãos de tudo o que for considerado abuso na letra da lei. O desenvolvimento como qualidade de vida, conforme os parâmetros de saúde, longevidade, moradia, letramento, liberdades políticas, acesso aos bens culturais, etc., relativos aos cidadãos pessoalmente, ao invés de índices representados por minorias privilegiadas, sendo o referencial da função do Estado. A democracia sendo pois o objetivo mesmo, inversamente a qualquer ditadura.
Tentativas de utilizar a dicotomia primitivo-moderno porém invertendo o conceito de progresso como a de Deleuze e Guattari não são de fato convergentes, preservando-se na linha pós-estruturalista, e mesmo se pode observar que a inversão é apenas aparente, pois de fato consideram estes autores o capitalismo como o único "socius" coerente com a natureza "esquizofrênica" do inconsciente enquanto, segundo eles, potencialidade ilimitada de criar regimes de signos, sendo "socius" conceito que amalgama na "produção" como "economia", as práticas supostas codificadas da sociedade e do desejo subjetivo a ela adequado pela educação. Assim é coerente que eles tenham se considerado marxistas.
Sem dúvida, o pós-estruturalismo, entre Deleuze-Guattari e Derrida, introduziu questões importantes da pós-modernidade, porém como vemos, persistiu num contexto dicotômico modernista, se bem que quanto a Derrida tenha focado sua crítica às oposições desse tipo. Não obstante, conceitua o "Ocidente" de um modo unívoco, platônico.
A deriva de Deleuze-Guattari porém foi porém, inversamente a Derrida, de recuo ostensivo quanto ao terceiro mundo, que haviam de um modo ou de outro valorizado até aí. O cinema 2 já repete a segregação de Jameson sobre o terceiro mundo como incapaz de split público-privado, mas "O que é a filosofia?" contradiz frontalmente a homologia do zen e estoicismo praticada na "lógica do sentido", pois relega o "oriente" à "transcendência" como incapacidade de pensar, sem suspeitar do ridículo da dicotomia "oriental" como Eduardo Said já havia demonstrado. Além disso, reduzem absurdamente o pensamento a três nacionalidades europeias, inglesa, francesa ou alemã.
Mas se em todo caso, mesmo na multiplicação de linhas e questões sendo crescente quanto ao marxismo, se conservou a constante de rejeição das "ciências humanas" e "teoria da ciência", o que se entendia então por esta, a "epistemologia"? Eu creio que não há outro campo em que se possa aproveitar a contribuição de Foucault, quando, hoje, já não podemos aceitar os seus resultados generalizantes e redutores tal como o conceito de Representação (postulado antropológico) de “As palavras e as coisas”, como critério capaz ao mesmo tempo de definir todas as ciências humanas e invalidá-las como ciências, ou a homogeneização platônico-aristotélica dos gregos em “O uso dos prazeres”. Não sendo o caso do conteúdo, é a proposta metodológica que estamos tematizando aqui.
Com efeito, naqueles focos em que se pode considerar a pós-modernidade teórica em trânsito, como no texto de Jane Flax intitulado "pós-modernismo e relações de gênero na teoria feminista", sendo porém relacionado aos anos noventa, vemos uma sobreposição curiosa.
Por um lado, valorização da epistemologia, o que é bem pós-moderno, como crítica das posições de ativismo ingênuo características das décadas anteriores tão focadas, conscientemente ou não, na centralidade do marxismo, posições ao modo da "new left" de Habermas ao feminismo da universidade de Cornell, que agora Flax mostra estar se considerando confundir na verdade instâncias irredutíveis como a prática e a teoria. Mas também referência de autores pós-estruturalistas, especialmente Foucault e Derrida, como pós-modernos, e uma estimativa, quanto ao pós-modernismo, ainda indefinida, sem notar o excentramento irreversível como ultrapassagem crucial da "modernidade" definível como concepção do progresso ocidental, assim ainda supondo-se o pós-moderno uma "fase de transição" a algo por vir.
Creio que seria subestimar a força histórica do marxismo, ignorar que muito da preservação dessa paradoxal rotulação do indefinido se deve a ele. Visto que até hoje, como tem se mantido revitalizado na imanência política do terceiro mundo, instalado em regimes de Estado como se preserva na Coreia, China e Venezuela, ou liderando a oposição como no petismo brasileiro, mostra-se um referencial de rejeição radical ao pós-modernismo atribuindo a ele ao mesmo tempo que a anulação do sócio-progressismo ocidentalista eurocêntrico como filosofia da "modernidade" histórica, nenhum corolário da transformação do conceito de capitalismo como imperialismo - não apenas "fase", mas modo operatório da Revolução Industrial. Assim tampouco da crítica do discurso ideológico, como dominação cultural, implícito nessa filosofia da "modernidade".
Inversamente, ao compreender estes dois motivos como conceituando o pós-moderno, a redefinição do capitalismo, logo, da modernidade mesma, como imperialismo monopolista, e o consequente excentramento cultural, vemos que a epistemologia como meta-crítica de um discurso da ciência do desenvolvimento dicotômico do primitivo ao moderno-ocidental, se torna realmente um locus reportável das questões pós-modernas.
O imperialismo monopolista não significa algo novo na história, posto que reativa por novos meios o antigo império helenista, onde já existia a consciência do proletariado, o trabalho assalariado, junto ao escravismo, e esses meios novos são emergentes desde há quinhentos anos, pela dominação escravista dessa margem antes desconhecida, as Américas. O empirismo da descoberta caucionou a evolução na ciência experimental que se desdobrou numa história do maquinário utilizável na indústria, numa escala imprevista na Antiguidade, e depois, facultando os novos meios a Revolução Industrial, dominação sobre África e Ásia, etc. Na atual globalização, o capitalismo perpetua sua missão histórica imperialista, de obstaculizar a organização social democrática e constitucional que vinha como processo libertário correlato à expansão das ciências, traduzindo-se no estado de coisas pós-colonial. Podemos considerar para muitos propósitos a globalização como recolonização. Paralelamente, com o excentramento teórico pós-moderno, já não conta o capitalismo com o "discurso" da ciência - "neurose" inconsciente a coté de suas realizações - para objetivos de dominação cultural, servidos hoje como são pela estrutura info-midiática do mercado. Luis Carlos de Morais Junior, em seu "A auto-educação no século XXI" conceituou muito bem a realidade pós-moderna da dominação cultural.
Ao menos quanto a Foucault, podemos notar a contradição de negar tratar-se de epistemologia. Quando "As Palavras e as Coisas" definem o que é ciência na modernidade, biologia, linguística e economia política, enquanto auto-conscientes de serem sistemáticas estruturais, por exclusão do que não é, as ciências humanas supostas relacionarem-se a uma projetada realidade por si, o "Homem". Essa "representação" da realidade sendo porém o mesmo que as consideradas como tais ciências pré-modernas, e eis porque podemos notar que elas eram defasadas por relação à evolução, ao signo, etc. E
a Arquelogia do Saber traça uma classificação dos estágios no rumo da cientificização de qualquer especialidade.
Não situa ainda assim Foucault qualquer definição do significado da ciência, uma vez que ela não mantem qualquer identidade de si através de estruturas irredutíveis de épocas que se sucedem naquilo que se designa, assim talvez algo impropriamente, "história". Porém o "saber" como a organização específica que define uma estrutura é assim conceituado, como a constante estrutural a-histórica. E independente dessa reserva de método, como vimos há sim uma auto-consciência da própria estrutura que permite identificar o caráter científico, ou "modernidade".
A temática foucaultiana da representação na verdade se pode considerar falaciosa quanto às ciências humanas, posto que, de modo perfeitamente inverso ao proposto, são as ciências naturais as relacionadas pelo neopositivismo como objetivas tout court nesse sentido do pressuposto de universalidade, enquanto nas ciências humanas é que o objeto é especificamente - de modo auto-consciente teórico. A "economia política" é tão ciências humanas como a linguística, sendo algo bastante idiossincrático atribuí-las ciências naturais.
O próprio marxismo é nesse sentido uma ciência humana, pois o conflito de classes é um postulado teórico, assim como a racionalidade da empresa na sociologia de Weber. Eles são realidade nesse sentido de objetos de observação científica, porém de um modo irredutível ao dar-se prévio das pedras ou montanhas que estuda a ciência natural. Assim vemos que Foucault ignora o objeto das ciências humanas, supondo que só as ciências naturais o tem como "quase-transcendentais" à pesquisa, um estatuto que como vemos, é muito mais adequado às ciências humanas.
Foucault considera por exemplo, que a antropologia social não tem nas sociedades não-moderno-ocidentais o seu objeto de pesquisa, mas sim que elas derivam da prática de interpretação de textos, o que é algo bem inverossímil, nada condizente com os fatos. Foucault não fez uma história das pesquisas e das rupturas intra-teóricas inerentes a cada uma das ciências humanas na sua trajetória. Apresentou uma fábula da "representação" como denominador comum de tudo, que nem mesmo tem muita pertinência quando se trata da "época clássica" anterior à modernidade, quanto à assim designada "análise das riquezas" como antecessora da "economia política", pois vemos com Dobb por exemplo, em "A Evolução do Capitalismo", que as práticas capitalistas não são descontínuas relativamente ao que já vinha sendo a apropriação dolosa desde o Renascimento. E enquanto Foucault declarava nas suas entrevistas que o imperador do antigo regime era muito tolerante com os pobres e vagantes, Dobb mostra como as leis instituídas pela dominação capitalista nas câmeras os agrilhoava, por um lado tornando qualquer vagante um escravo do delator, após sofrer sevícias da penalidade judicial, por outro lado proibia com a lei dos residentes a opção das habitações coletivas no campo, na ocasião da substituição da agricultura pela ovinocultura, porque a lei impedia que as casas fossem ocupadas por um acréscimo no número de pessoas.
Foucault não trata do que é decisivo nessa época clássica, a "teoria política" que antecede as ciências humanas, estas que nascem quando a decalagem teórico-política de estados de natureza e sociedade já não basta para apreender o espanto do primitivo americano na sua oposição total ao conhecido da tradição, visto que com a independência, o homo americano se fez também homo storia. E se há uma representação inconsciente nas ciências humanas, é esse discurso do primitivo na sua cisão fundamental da modernidade. A projeção de um objeto prévio dado como representação do humano é bem mais coerente atribuir à biologia.
Quanto às produções de Foucault em âmbitos ulteriores ao projeto arqueológico do saber, hoje já podemos considerar mais claramente a sua relação com este. À alternativa entre ruptura ou continuidade, hoje já compreendemos serem contínuos à intenção arqueológica, ainda que se fizessem como "genealogia" do poder e "história" da sexualidade. Todos os três ramos visam o fato estrutural da "modernidade". Vejamos como, especialmente quanto ao sexo, a história se faz estrutura, mas desse fato que cinde a multiplicidade das estruturas num binômio do pretérito à presentness, como se poderia denotar.
Sexualidade e poder
O início do volume da História da Sexualidade é consagrado à contemporaneidade ocidental , mas o que vemos ao longo do livro poderia ser reconstituído em função do curso sobre governamentalidade. Especifica este, algo mais do que a enunciada "modernidade" quanto ao governo, trajetória do liberalismo ao neoliberalismo como de uma ideia da autonomia do mercado que apenas completa a retirada do governo da esfera decisória crucial que se torna atribuída à ciência da Economia que o governo emprega. Especifica também os eixos das demais ciências sobre os quais o governamento de gestão se implementou atravessando a oposição jurídica do público e do privado, suposta por Foucault pré contemporânea.
É explicitamente “negócio de Estado”, e mesmo “ainda melhor, uma questão em que todo o corpo social e quase cada um de seus indivíduos eram convocados a porem-se em vigilância”(p. 110), aquilo de que se deve falar com propriedade para referenciar a nova “tecnologia do sexo” vigente a partir do final do século XVIII, e que “se desenvolve ao longo de três eixos...”: o da pedagogia, “tendo como objetivo a sexualidade específica da criança”; o da medicina, objetivando a “fisiologia sexual própria das mulheres”; e o da demografia, cujo objetivo é a “regulação espontânea ou planejada dos nascimentos” . Além disso, os efeitos desse biopoder que resulta como governamento de gestão do que é definido gerível como áreas de aplicação do Saber, são agora redutíveis efetivamente a um a priori de todos os efeitos hierarquizantes como de Poder.
Não
é uma vontade de saber oriunda da psique coletiva, mas sim efeito de
uma vontade específica de diferenciar-se do antigo domínio da
aristocracia, que chama a ciência como sua aliada para ser posta no
lugar que antes pertencia à identidade da casta por nascimento
nobre: “Ou,
antes, que a sexualidade é originária e historicamente burguesa e
que induz, em seus deslocamentos sucessivos e em suas transposições,
efeitos de classe específicos”
ainda que sexualidade seja estritamente definida em termos de
“conjunto dos
efeitos produzidos nos corpos, nos comportamentos, e nas relações
sociais, por um certo dispositivo pertencente a uma tecnologia
política complexa...”
o qual “não
funciona simetricamente”
conforme o lá e o cá da linha de separação das duas classes
burguesia e proletariado (p. 120)
Mas
assim a burguesia não é a classe produtora, e a tecnologia do sexo
não diz respeito à produção nem a espelha – como se Foucault
apoiasse incursões como a de freudo-althusserianos que pretenderam
conceituar nos instrumentos de trabalho o falo proletário, enquanto
na sociologia local se reduzia os fenômenos de massificação de
sexo a uma linguagem cuja mola era identificar cada fruição
sancionada como espelhando um aspecto da produção industrial.
Foucault poderia, a meu ver, inscrever aí a sua própria crítica ao
que designou “crítica
histórico-política da repressão sexual”
atribuindo-a a W. Reich (p. 123). A burguesia é sim, segundo
Foucault, a classe científica, e por
isso
ela se auto-concebe a classe saudável, o referencial do vigor e da
normalidade do homem são.
Por
isso, também, ela revoluciona a matéria sexual: não mais sua
ocultação como sua repressão é o que vai garantir a economia de um
dispêndio que beira o numênico em nós, portanto que nos vai
proteger de um dispêndio temível, mas essa ocultação como signo
de ignorância sobre esse noumeno em nós é que se torna temível, e
é a repressão pela ignorância o que deve ser a todo custo evitado.
Ora,
em As palavras e
as coisas
a psicanálise se inscrevia entre as ciências estruturais, na
estrada real do científico, não entre as pseudo-ciências humanas.
Essa inclusão quebrava a geometria do triedo dos saberes,
prolongando suas faces à reflexão ilusória das humanities, mas lá
está registrável. Em a
História da Sexualidade,
a psicanálise vem a incidir como dispositivo da tecnologia sexual,
como expressão dessa troca imperativa da ignorância pelo saber, da
repressão pela regulação.
Além
disso, o estatuto do libertinismo literário fica ambíguo. Por um lado ele é
um dos gêneros entre outros, em que o sexo se discursiviza – tanto
quanto a pastoral católica que começa a orientar para a confissão
dos sentimentos e fantasias, não mais somente dos fatos.
Sade tanto quanto Nietzsche são exceções reais ao regime discursivo-gerativo da “modernidade”, ao ver de Foucault, e então como traçaríamos a fronteira da marcação da perversão, que entretanto teria que haver a partir da assunção do “discurso”? Pois se estes são considerados exceções por Foucault, não é como se eles fossem perversos assumidos, mas pelo contrário, porque eles instituem algo na exterioridade ao discurso, algo que o discurso não consegue apreender. Mas se há algo que o discurso não apreende ainda que dentro da temporalidade de sua vigência, isso deveria desfazer seu caráter axiomático, e no entanto Foucault o interpõe como aquilo que antes a confirma. Por outro lado ele não os trata como arcaísmo estrutural ao recalcado, conforme o fez com as Ciências Humanas. Não parece tê-los pensado como meros remanescentes da aristocracia – se bem que para Sade já houve quem assim o entendesse.
Sade tanto quanto Nietzsche são exceções reais ao regime discursivo-gerativo da “modernidade”, ao ver de Foucault, e então como traçaríamos a fronteira da marcação da perversão, que entretanto teria que haver a partir da assunção do “discurso”? Pois se estes são considerados exceções por Foucault, não é como se eles fossem perversos assumidos, mas pelo contrário, porque eles instituem algo na exterioridade ao discurso, algo que o discurso não consegue apreender. Mas se há algo que o discurso não apreende ainda que dentro da temporalidade de sua vigência, isso deveria desfazer seu caráter axiomático, e no entanto Foucault o interpõe como aquilo que antes a confirma. Por outro lado ele não os trata como arcaísmo estrutural ao recalcado, conforme o fez com as Ciências Humanas. Não parece tê-los pensado como meros remanescentes da aristocracia – se bem que para Sade já houve quem assim o entendesse.
Na
verdade, segundo Foucault os dispositivos da nova tecnologia são
transformações em
relação a orientações bem antigas,
conformes porém à emergência dessa vontade nova cujo referencial é
a classe temporalmente emergente como burguesia: vigilância de
possíveis evidências de sexualidade infantil, controle sobre as
disrupções nervosas femininas e limitação da natalidade são
temas reportáveis da orientação cristã desde séculos antes. Mas
como assinalado, é essa vontade, enquanto revolucionária, o que
institui a demarcação de uma irredutibilidade do discurso no tempo.
Assim
a “hegemonia” de terminologia foucaultiana não é uma operação
de classe a partir de alguma base de interesse utilitário
(econômico) discriminável. É inteiramente efeito de “discurso”,
e a interveniência de fatores da produção não lhe pré-estrutura,
ao contrário, é circunstancial à sua expansão. O proletariado só
é sexualizado-subjetivado pela burguesia a partir de certas
condições históricas que a ela asseguraram o controle sobre o
corpo do trabalhador, entre os quais certamente o desenvolvimento da
indústria pesada, mas não mais do que o das tecnologias de controle
de moradia, de saneamento, de escolaridade, de medicalização, etc.
(p. 119)
Já o curso sobre governamentalidade imbrica explicitamente os temas. Aqui trata-se da modernidade como um contexto em que o governo se faz exclusivamente como gestor de projetos de que não tem responsabilidade de saber, mas sim são provenientes da ciência, do saber específico. Ora, na ciência o que ocorre é como vimos, a rotulação das subjetividades, a identificação do caso como do sujeito. Assim o poder seria maior, como possibilidade de controle sobre os corpos a partir de ser a própria definição do "quem" das mentes. Um resultado não muito diverso da teoria dos aparelhos ideológicos de Estado, de Althusser, ou da dominação burocrática, de Weber. Porém igualmente defasado pela abstração da cisão de costume e lei, confundindo sociedade e Estado. Assim vemos como Focault fantasiou o neoliberalismo econômico, supondo tratar-se de um verdadeiro liberalismo político, bem inversamente ao que revelaram os estudos de Stuart Hall sobre o governo neoliberal de Tatcher, como ramificação dos poderes em prol de um controle maior possível sobre a subjetividade, a moldagem do sujeito ideal do regime.
Já o curso sobre governamentalidade imbrica explicitamente os temas. Aqui trata-se da modernidade como um contexto em que o governo se faz exclusivamente como gestor de projetos de que não tem responsabilidade de saber, mas sim são provenientes da ciência, do saber específico. Ora, na ciência o que ocorre é como vimos, a rotulação das subjetividades, a identificação do caso como do sujeito. Assim o poder seria maior, como possibilidade de controle sobre os corpos a partir de ser a própria definição do "quem" das mentes. Um resultado não muito diverso da teoria dos aparelhos ideológicos de Estado, de Althusser, ou da dominação burocrática, de Weber. Porém igualmente defasado pela abstração da cisão de costume e lei, confundindo sociedade e Estado. Assim vemos como Focault fantasiou o neoliberalismo econômico, supondo tratar-se de um verdadeiro liberalismo político, bem inversamente ao que revelaram os estudos de Stuart Hall sobre o governo neoliberal de Tatcher, como ramificação dos poderes em prol de um controle maior possível sobre a subjetividade, a moldagem do sujeito ideal do regime.
A meu ver, o biopoder conceituado foucaultiano na verdade não compacta uma
política efetiva, pois se fosse uma questão de erradicá-lo isso
significaria exatamente o que o neoliberalismo econômico operou como
desincompatibilização da obrigação do governo em prover
assistência médica à população. A medicina estaria restrita aos que
escolhem e podem pagar, o que inclui os trabalhadores enquanto de empresas privadas, pelo veículo dos "planos de saúde". Já a agressividade pós-estrutural contra o
Estado, que apenas repete o dogma oitocentista de "O Capital", se coloca na contra-mão da política pós-moderna, vendo o Estado como representação política da sociedade
contra o domínio de grupos de privilégio. Antes, foi tratado de modo
absurdo como sinônimo de poder desses grupos, sem conceituação do que é legitimável em termos de Estado
constitucional como soberania nacional, e o que não é. Assim o pós-estruralismo tanto como a new left habemasiana que era frontalmente agressiva ao Welfare State, preparou o
caminho do neoliberalismo econômico.
Mais uma vez o problema do pós-estruturalismo é a homogeneidade do discurso, porque só restaria assim, contra o poder identificado a estado, a vontade geral una da liberdade singular, mas o estado não é a vontade geral una do poder de grupo, e sim o nível público, onde há resolução político das questões postas pela heterogeneidade do social, e é só quando se pode detectar deslegitimação – ou então uma sociedade não formalmente constitucional nem simples igualitária, mas oligárquica ou imperial – é que o estado está sobredeterminado por sua identificação a um governo de grupo ou classe, isto é, identitário. Assim também a indagação foucaultiana sobre o direito de classificar o louco, mas e o nosso direito de proteção policial, devido a que a criminalidade, no limite – caso se forçasse uma resposta sobre isso - seria apenas função ou do lucro (firmas americanas, segundo estudos sociológicos) ou da instabilidade emocional? E a proteção ao louco, pois sua ação deletéria não tem o mesmo motivo do agente responsável, podendo voltar-se contra o próprio louco?
A concepção de Foucault conduz a concepção de um controle brando, da sociedade que domestica pela recompensa do desfrute passivo. Sendo concepção comum do primeiro mundo nos anos oitenta, antes da globalização, a tenho designado "o consenso do corporate state", que também se notava a Leste, na URSS, conforme A. Liehm ("le nouveau contrat social et les intellectuels" in: Tel Quel, 1974, 2º tr.), considerando-a ele uma incorporação pelo pleno emprego e diversão coletiva tal porém que o intelectual estaria excluído por sua capacidade crítica, automaticamente antagonizada pelo modo mesmo da citada incorporação. A meu ver a própria expressão "contrato social" já marca pejorativamente a ditadura, se um mero "contrato" social não deve ser considerado o mesmo que constituição nacional.
Na verdade contudo o que havia então, inversamente ao que o "consenso do corporate state" acreditava, era a transição da cartografia planisférica, do conflito leste/Oeste ao atual conflito norte/sul. Quanto a este, podemos hoje interpretar como sempre tendo lastreado o que na aparência era o conflito leste/oeste, já que enquanto uma luta pela liderança no processo modernizante, dependia do imperialismo econômico e ideológico. Mas podemos ver que quanto ao controle ideológico como política contra o intelectual, na margem vinha sendo constante como de violência total, nas ditaduras, posto que aqui a pauta deveria fazer inclusão da independência nacional.
Na realidade, porém, nem mesmo ao Norte havia um domínio brando, mas um estado de guerra internacional, posto que se tratava então de um Welfare State de assistência social que funcionava nos centros capitalísticos apenas até onde as ditaduras mais violentas no terceiro mundo, e o prosseguimento da guerra de descolonização pelas intervenções contra possibilidades de regimes comunistas, impostos pelos mesmos centros, permitiam os lucros ficarem estabilizados, e que interessava maximamente à propaganda anti-soviética.
Enquanto na própria União Soviética ocorria um estado de coisas igualmente paranoico, já que tudo se concentrava no esforço de manter a submissão dos países satélites. Liehm informa no citado artigo inclusive que a Russia gastava mais com os países dependentes do que com ela mesma. Realmente uma oposição forte contra a ditadura sovieticista crescia, a exemplo do "solidariedade" polonês. Mas assim também o artigo tende a minimizar o peso da guerra bipolar de Russia e Estados Unidos, que se intensificava por exemplo no Afeganistão.
Seria forçado negar que durante os anos oitenta houve a redemocratização em países como o Brasil, por um período que antecede a "globalização" recolonizadora dos anos noventa, assim como antecede a dessovietização da mesma década, o que pode ter favorecido a tese do "consenso", a penetração pós-estruturalista tendo nessa época referencialidade compreensível aqui. Porém repetindo, em nível internacional estava havendo o avanço anti-comunista de Reagan contra os focos remanescentes do comunismo no terceiro mundo, visando também diretamente o próprio conflito bipolar. Já na recolonização "globalizada" dos anos noventa - neoliberalismo econômico implementado na internacionalização da fábrica toyotizada, com apropriação também dos serviços e das fontes de matérias primas do terceiro mundo pelas multinacionais - o mapa do conflito norte/sul estava oficializado.
Há a precedência do "clube de Roma", reunião de empresários do primeiro mundo visando o "desenvolvimento zero", pelo qual se coibiria o desenvolvimento industrial do terceiro mundo, pelo motivo da salvaguarda ecológica, devido ao incremento da consumação energética, e os subsequentes encontros internacionais visando manter algum nível de desenvolvimento local. Porém na globalização como vemos inverte-se o motivo, e o que ocorre como política da dominação econômica dos carteis "multinacionais" é simples ocupação territorial para objetivos de expansão industrial e de consumação energética pelo incremento ilimitado de serviços e indústria info-midiáticos.
A dominação info-midiática é a fábula do burrinho opositivo, multiplicação desordenada de exclusão social por meio de valores vazios, mera proliferação indefinida de pares de opostos 'fundamento-suplemento' já ridicularizado tanto quanto desconstruído, tendo é claro na posição do suplemento alvo do preconceito tudo o que representa a sociedade saudável e os direitos humanos.
Aquilo que o pós-estruturalismo jamais anteviu é agora manifesto como o verdadeiro pivô do sistema, a diversão via "comunicações em massa", como business de mídia, que já estava referenciado assim por dossiês como "o império americano" de cl. Julien e "the powers that be", de David Halberstam, ambos citanto porém vasta bibliografia. Assim também a veiculação das informações como diversão é política notória das vias de mídia, de modo que mesmo as denúncias que ela parece estar fazendo na verdade são inócuas porque ao mesmo tempo ela orquestra a impossibilidade de reagir, de impedir os abusos, como sendo ela pilar não só ideológico mas também propriamente econômico da dominação.
O cromo do fim da arte na pós-modernidade teria aí um referencial, já que a mentalidade da dominação midiatizada é veiculada em nível de massa por aquilo que até então se atribuía como atividade de artistas, arte, etc., estritamente contrária agora como tem se mostrado, a atividade intelectual em geral e de kritikultur em particular. Mas para garantia do sistema, a atividade de escrita e pesquisa está se tornando dependente do "personal computer" de marca multinacional como trama de domínio total sobre a consciência e a privacidade, assim como sobre os documentos públicos, eleições, etc.
Como vemos, tudo o que configura o abuso da cidadania e da subjetividade vem sendo feito expressamente contra o Estado, a começar pelo neoliberalismo econômico. Foucault foi influenciado por Friedman e outros teóricos desse "fascismo de mercado" como designou adequadamente Wilson Cano, de modo a confundir a própria revolução constitucional em marcha desde o século XIX como a tese de Estado mínimo.
Quando na verdade a constituição só é possível enquanto correlato mesmo de Estado nacional como regime de igualdade de status da cidadania composta pelos sujeitos particulares, regime portanto oposto à antiga aristocracia de leis diferenciadas conforme a classe ("estamento"), com privilégios de dominação das classes ricas ou detentoras de títulos de nobreza, isto é, oriundas de famílias parentes do rei, sobre as classes pobres ou plebeias que assim estão obrigadas a prostrar-se perante aquelas, prestar serviços gratuitos, obedecer socialmente a elas, etc.
A contradição histórica de Foucault reside pois num discurso contra o Estado que se baseia naquilo que a meu ver é a falsa identidade de Estado e capitalismo, porém para em seguida considerar a modernidade como o governo de Estado mínimo. Ao mesmo tempo, como em entrevistas célebres, exalta Foucault o antigo regime aristocrático em termos de menos repressivo - o que até mesmo configura inverdade histórica.
========
atenção : alteração do tamanho das letras não corresponde a intenção da autoria, comprova ação de bandido hacker, num país onde os impostos não redundam na garantia contra bandidagem. Mais uma vez o problema do pós-estruturalismo é a homogeneidade do discurso, porque só restaria assim, contra o poder identificado a estado, a vontade geral una da liberdade singular, mas o estado não é a vontade geral una do poder de grupo, e sim o nível público, onde há resolução político das questões postas pela heterogeneidade do social, e é só quando se pode detectar deslegitimação – ou então uma sociedade não formalmente constitucional nem simples igualitária, mas oligárquica ou imperial – é que o estado está sobredeterminado por sua identificação a um governo de grupo ou classe, isto é, identitário. Assim também a indagação foucaultiana sobre o direito de classificar o louco, mas e o nosso direito de proteção policial, devido a que a criminalidade, no limite – caso se forçasse uma resposta sobre isso - seria apenas função ou do lucro (firmas americanas, segundo estudos sociológicos) ou da instabilidade emocional? E a proteção ao louco, pois sua ação deletéria não tem o mesmo motivo do agente responsável, podendo voltar-se contra o próprio louco?
A concepção de Foucault conduz a concepção de um controle brando, da sociedade que domestica pela recompensa do desfrute passivo. Sendo concepção comum do primeiro mundo nos anos oitenta, antes da globalização, a tenho designado "o consenso do corporate state", que também se notava a Leste, na URSS, conforme A. Liehm ("le nouveau contrat social et les intellectuels" in: Tel Quel, 1974, 2º tr.), considerando-a ele uma incorporação pelo pleno emprego e diversão coletiva tal porém que o intelectual estaria excluído por sua capacidade crítica, automaticamente antagonizada pelo modo mesmo da citada incorporação. A meu ver a própria expressão "contrato social" já marca pejorativamente a ditadura, se um mero "contrato" social não deve ser considerado o mesmo que constituição nacional.
Na verdade contudo o que havia então, inversamente ao que o "consenso do corporate state" acreditava, era a transição da cartografia planisférica, do conflito leste/Oeste ao atual conflito norte/sul. Quanto a este, podemos hoje interpretar como sempre tendo lastreado o que na aparência era o conflito leste/oeste, já que enquanto uma luta pela liderança no processo modernizante, dependia do imperialismo econômico e ideológico. Mas podemos ver que quanto ao controle ideológico como política contra o intelectual, na margem vinha sendo constante como de violência total, nas ditaduras, posto que aqui a pauta deveria fazer inclusão da independência nacional.
Na realidade, porém, nem mesmo ao Norte havia um domínio brando, mas um estado de guerra internacional, posto que se tratava então de um Welfare State de assistência social que funcionava nos centros capitalísticos apenas até onde as ditaduras mais violentas no terceiro mundo, e o prosseguimento da guerra de descolonização pelas intervenções contra possibilidades de regimes comunistas, impostos pelos mesmos centros, permitiam os lucros ficarem estabilizados, e que interessava maximamente à propaganda anti-soviética.
Enquanto na própria União Soviética ocorria um estado de coisas igualmente paranoico, já que tudo se concentrava no esforço de manter a submissão dos países satélites. Liehm informa no citado artigo inclusive que a Russia gastava mais com os países dependentes do que com ela mesma. Realmente uma oposição forte contra a ditadura sovieticista crescia, a exemplo do "solidariedade" polonês. Mas assim também o artigo tende a minimizar o peso da guerra bipolar de Russia e Estados Unidos, que se intensificava por exemplo no Afeganistão.
Seria forçado negar que durante os anos oitenta houve a redemocratização em países como o Brasil, por um período que antecede a "globalização" recolonizadora dos anos noventa, assim como antecede a dessovietização da mesma década, o que pode ter favorecido a tese do "consenso", a penetração pós-estruturalista tendo nessa época referencialidade compreensível aqui. Porém repetindo, em nível internacional estava havendo o avanço anti-comunista de Reagan contra os focos remanescentes do comunismo no terceiro mundo, visando também diretamente o próprio conflito bipolar. Já na recolonização "globalizada" dos anos noventa - neoliberalismo econômico implementado na internacionalização da fábrica toyotizada, com apropriação também dos serviços e das fontes de matérias primas do terceiro mundo pelas multinacionais - o mapa do conflito norte/sul estava oficializado.
Há a precedência do "clube de Roma", reunião de empresários do primeiro mundo visando o "desenvolvimento zero", pelo qual se coibiria o desenvolvimento industrial do terceiro mundo, pelo motivo da salvaguarda ecológica, devido ao incremento da consumação energética, e os subsequentes encontros internacionais visando manter algum nível de desenvolvimento local. Porém na globalização como vemos inverte-se o motivo, e o que ocorre como política da dominação econômica dos carteis "multinacionais" é simples ocupação territorial para objetivos de expansão industrial e de consumação energética pelo incremento ilimitado de serviços e indústria info-midiáticos.
A dominação info-midiática é a fábula do burrinho opositivo, multiplicação desordenada de exclusão social por meio de valores vazios, mera proliferação indefinida de pares de opostos 'fundamento-suplemento' já ridicularizado tanto quanto desconstruído, tendo é claro na posição do suplemento alvo do preconceito tudo o que representa a sociedade saudável e os direitos humanos.
Aquilo que o pós-estruturalismo jamais anteviu é agora manifesto como o verdadeiro pivô do sistema, a diversão via "comunicações em massa", como business de mídia, que já estava referenciado assim por dossiês como "o império americano" de cl. Julien e "the powers that be", de David Halberstam, ambos citanto porém vasta bibliografia. Assim também a veiculação das informações como diversão é política notória das vias de mídia, de modo que mesmo as denúncias que ela parece estar fazendo na verdade são inócuas porque ao mesmo tempo ela orquestra a impossibilidade de reagir, de impedir os abusos, como sendo ela pilar não só ideológico mas também propriamente econômico da dominação.
O cromo do fim da arte na pós-modernidade teria aí um referencial, já que a mentalidade da dominação midiatizada é veiculada em nível de massa por aquilo que até então se atribuía como atividade de artistas, arte, etc., estritamente contrária agora como tem se mostrado, a atividade intelectual em geral e de kritikultur em particular. Mas para garantia do sistema, a atividade de escrita e pesquisa está se tornando dependente do "personal computer" de marca multinacional como trama de domínio total sobre a consciência e a privacidade, assim como sobre os documentos públicos, eleições, etc.
Como vemos, tudo o que configura o abuso da cidadania e da subjetividade vem sendo feito expressamente contra o Estado, a começar pelo neoliberalismo econômico. Foucault foi influenciado por Friedman e outros teóricos desse "fascismo de mercado" como designou adequadamente Wilson Cano, de modo a confundir a própria revolução constitucional em marcha desde o século XIX como a tese de Estado mínimo.
Quando na verdade a constituição só é possível enquanto correlato mesmo de Estado nacional como regime de igualdade de status da cidadania composta pelos sujeitos particulares, regime portanto oposto à antiga aristocracia de leis diferenciadas conforme a classe ("estamento"), com privilégios de dominação das classes ricas ou detentoras de títulos de nobreza, isto é, oriundas de famílias parentes do rei, sobre as classes pobres ou plebeias que assim estão obrigadas a prostrar-se perante aquelas, prestar serviços gratuitos, obedecer socialmente a elas, etc.
A contradição histórica de Foucault reside pois num discurso contra o Estado que se baseia naquilo que a meu ver é a falsa identidade de Estado e capitalismo, porém para em seguida considerar a modernidade como o governo de Estado mínimo. Ao mesmo tempo, como em entrevistas célebres, exalta Foucault o antigo regime aristocrático em termos de menos repressivo - o que até mesmo configura inverdade histórica.
========
denúncia contra operação de personal computer em Brasil
Comunico mais um roubo de pasta de documentos, 09/05/2019, com textos meus inéditos, como venho denunciando várias operações de abuso ilegal por parte de intrusos no computador. O computador apresentava também imagens pornográficas nas páginas da internet.
"Personal computer" são operações da bandidagem internacional imperialista impingindo mercadoria sem garantias dos direitos privados, a invasão monopolista do mercado estando articulada a operações de business de mídias contra pessoas particulares, também de lobbings incentivando gangs de minorias para atuar apartheid social. A única vantagem do "personal computer" intrusado, com programas imperialistas dirigidos contra a capacidade pensante da população do terceiro mundo se resume no montante de dinheiro que as firmas operadoras da bandidagem multinacional açambarcam contra a consciência das pessoas. Até aqui faziam o mesmo por meio de porrada ou eliminação física, agora utilizam os meios de coação digital, porém só até serem expulsos por ação consciente daqueles que prezam sua humanidade
Agentes terroristas atuam nos nossos computadores, parasitas porcos que destroem textos, falsificam documentos, fazendo dominação sobre linha telefônica, espionagem, assédio, etc.
A propaganda mentirosa na internet apregoa que cyberdelegacia atende contra intrusão computacional de modo a identificar os bandidos, porém não sendo verdade, porque fiz queixa pessoalmente no local mas responderam que não tem responsabilidade sobre isso.Nunca nos foi pedida ou por meu marido e eu concedida autorização a qualquer outra pessoa para administrar conta ou participar de qualquer forma dos comandos do computador pessoal. Não sabemos quem são os bandidos intrusos nojentos que espionem e/ou alteram contra nossos interesses os dados do computador comprado com nosso dinheiro, de nossa propriedade particular. Não foi autorizada participação coletiva, o computador é particular. O governo é cúmplice dos bandidos, se não oferece garantias contra tais ações.
Achei muito bobinho o weekleaks insinuando a suspeita de algum programa mirabolante da Cia para intrusão de computadores pessoais, quando desde há muito se sabe que linhas telefônicas são franqueadas a ação da Cia ou de qualquer instância, formal ou não, desde o governo até sindicatos ou pessoas privadas corruptoras, que tenha acesso às companhias operadoras.
A prisão do dono da inócua weekleaks apenas comprova a incúria das agências atuais. Claude Julien, David Halberstam, fizeram denúncias muito mais escandalosas, como a orquestração do golpe de Estado por parte da Cia no Irã, impondo o nazista hitlerista Zaedi no governo ao derrubar pela fraude o governo eleito por voto representativo racional, porque este havia nacionalizado o petróleo iraniano, que era até aí explorado por uma companhia inglesa que ficava com setenta por cento dos proventos. A revolução dos aiatolás expulsou o lobbing de pretoleiras norte-americanas aramco que havia financiado o golpe. Muito mais denúncias são feitas pelos autores citados, notadamente o controle por parte de business de mídia do financiamento de candidatos a eleições nos USA, chantagem direta de donos de mídias ao Executivo para manobrar guerras ou outras fontes de "notícias", exploração dos efeitos de câmara para direcionar votos, etc. Nada sequer parecido, ou com similar peso histórico da informação foi veiculado pela weekleaks.
Na atualidade a inaceitável ilegal venda de exploração de serviços básicos ou de fontes de energia a multinacionais repete a extorsão nojenta dos imperialismos, mancomunados com corruptos de esquerdas ou de direitas, aloprados cujo intento único se resume a dominar a vida alheia.
A globalização é recolonização no Brasil. Todo tipo de abuso nojento feito por operadoras de telefonia, provedoras de internet, assim como por ditaduras de subalternos no comércio e serviços. Até mesmo contrato do vlt (Rio de Janeiro) extorque os nossos impostos exigindo que o Estado pague a conta dos lucros dos empresários caso o serviço não seja satisfatório e as pessoas não prefiram o veículo, porém se o público pagante fosse suficiente os ditos empresários apenas embolsariam o montante, sem qualquer proveito público.
As casas das pessoas estão espionadas para objetivos do business de mídia copiar gestos, atos, situações, no nojento cinema comercial e mercados editoriais, assim como para simular julgamentos de valor nas propagandas, novelas, etc., manipulando imagens particulares. Ou financiando pseudo-artistas ou até ridículos consumistas de bairros que apenas repetem o que nós criamos com esforço de pesquisa e inventiva própria, porém descontextualizado de modo a não ser recuperável o sentido do que é feito, sabotando assim o nosso direito à circulação da nossa produção. Jornalismo e radialismo podre fazendo intrigas com a vida particular, tentando botar prostitutas nas casas, etc. O descrédito das produções de mercado editorial assim como do que se produz como business de mídia se torna compreensível pelo que podemos testemunhar.
Plágio do que escrevemos no personal computer é feito por espiões nas máquinas intrusadas, tanto por business de mídia mancomunado com corruptos imperialistas como por patifes quaisquer, sem que se tenha proteção contra a bandidagem.
Serviços públicos e comércio estão articulados a gangs de parasitas que fazem panopticum na vida pessoal, supondo empregados com direitos de julgamentos ou preferências idiotas para atender ou não as pessoas, o que configura mentalidade de parasitas ilegais, atuando contra as leis constitucionais. Partido Fascista de bairros como Ilha do Governador está organizado no Rio de Janeiro, mesmo sendo contra da lei.
fora bandidagem capitalista, fora parasita corrupto de sindicato pelego podre, fora prostituta, fora ladrão, fora abusados, fora samarco, destruidores de cidades brasileiras, fora imperialista podre, fora defraudadores da democracia, fora gangs de otários que tentam coibir nossa liberdade. FORA BANDIDOS . Somos brasileiros, temos constituição e nacionalidade, vamos expulsar todos os bandidos da sociedade defraudadores da nossa liberdade, REVOLUÇÃO CONSTITUICIONAL, POR UMA POLÍCIA NÃO CORRUPTA, POR UM ESTADO A SE CONSTRUIR, QUE BOTE NA CADEIA TODOS OS BANDIDOS DO COMPUTADOR, DE MÍDIAS, DE GANGS, OU IMPERIALISTAS.
=================
Meu novo livro "Riqueza e Poder, a Geoegologia", está lançado mas a editora quártica não colocou na internet.
================
Comentários
Postar um comentário